Começa greve geral na Argentina contra a
reforma trabalhista de Milei - Foto: Luis Robayo / AFP
Paralisação
irá durar 24 horas e foi convocada pela principal central sindical do país
Por AFP
19/02/26 às 08H07 atualizado em 19/02/26 às 08H43
O governo
argentino enfrenta nesta quinta-feira(19) a quarta greve geral de sua gestão,
no dia em que a Câmara dos Deputados debaterá uma polêmica reforma trabalhista
impulsionada pelo presidente ultraliberal Javier Milei, já aprovada pelo Senado
na semana passada.
A
paralisação, que começou às 00h01 locais (mesmo horário em Brasília) e durará
24 horas, foi convocada pela principal central sindical do país, que considera
que as mudanças propostas pelo governo são “regressivas”.
A medida de
força ocorre em um contexto econômico que apresenta sinais de queda na
atividade industrial, com mais de 21.000 empresas fechadas nos últimos dois
anos e a perda de cerca de 300.000 postos de trabalho, segundo fontes
sindicais.
O caso mais
recente é o da Fate, a principal fábrica de pneus da Argentina, que nesta
quarta-feira anunciou o fechamento de sua planta em Buenos Aires e a demissão
de mais de 900 trabalhadores, alegando perda de competitividade devido à
abertura indiscriminada das importações.
“Queremos
dizer ao governo que o povo não lhe deu o voto para que lhe tire direitos”,
declarou nesta quarta-feira Cristian Jerónimo, um dos secretários-gerais da
Confederação Geral do Trabalho (CGT), que antecipou que a medida de força será
“contundente”.
Os
principais sindicatos do transporte de passageiros aderiram inicialmente ao
protesto. Além disso, 255 voos foram cancelados, em uma medida que afeta 31.000
passageiros, informou a Aerolíneas Argentinas.
Também
aderiram os trabalhadores portuários, que paralisam importantes terminais como
o de Rosário, um dos maiores exportadores de produtos agrícolas do mundo.
A sessão na
Câmara dos Deputados está prevista para começar às 14h00 locais (mesmo horário
em Brasília).
"Risco"
Embora a greve da CGT vá ocorrer sem mobilização, diferentes sindicatos e
agrupações políticas anunciaram que marcharão até a Praça do Congresso, no
centro de Buenos Aires.
Na semana
passada, quando o projeto de reforma trabalhista foi debatido pelo Senado,
milhares de pessoas se reuniram em manifestações que terminaram em confrontos
com a polícia e cerca de trinta detidos.
O governo
divulgou na terça-feira um comunicado incomum, no qual advertiu a imprensa
sobre o “risco” de cobrir os protestos e estabeleceu uma “zona exclusiva” em
uma das ruas laterais da praça para a instalação dos meios de comunicação.
“Diante de
fatos de violência, nossas forças atuarão”, diz o texto do Ministério da
Segurança, que recomendou aos jornalistas “evitar posicionar-se entre eventuais
focos de violência e o pessoal das forças de segurança”.
O projeto
que será debatido pelos deputados reduz indenizações, permite pagamentos em
bens ou serviços, estende a jornada de trabalho para 12 horas e limita o
direito de greve, entre outros pontos.
O governo
garante que as mudanças ajudarão a reduzir a informalidade, que atinge mais de
40% do mercado de trabalho, e a criar empregos ao diminuir a carga tributária
para os empregadores.
Para
avançar na discussão na Câmara dos Deputados, o partido do governo teve de
eliminar do texto aprovado no Senado um polêmico artigo que reduzia o salário
para entre 50% e 75% durante as licenças médicas.
Fonte: https://www.folhape.com.br/noticias/comeca-greve-geral-na-argentina-contra-a-reforma-trabalhista-de-milei/468458/?utm_medium=email&utm_campaign=newsletter_noticias_-_19022026&utm_source=RD+Station
acesso em 21-02-26
Comentários
Postar um comentário