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Reformas, tarifas e inflação alta reduzem popularidade de Macri



Folhapress sáb, 17 de fev
SYLVIA COLOMBO
BUENOS AIRES, ARGENTINA (FOLHAPRESS) - 

Medidas econômicas impopulares e tropeços administrativos da gestão Mauricio Macri estão consumindo o capital político adquirido pelo governo da Argentina com a vitória nas eleições legislativas de outubro.
O presidente tinha, na ocasião, 58% de aprovação popular. Hoje, segundo pesquisas feitas no final de janeiro, Macri está com entre 40% e 45% (conforme a enquete).
Outros números preocupam: 44,7% dos argentinos crêem que a situação econômica está pior agora do que no início de seu mandato (instituto Management & Fit); 59% se dizem insatisfeitos ou muito insatisfeitos (pesquisa da Universidad San Andrés) com a gestão. Quanto à inflação, 43% esperam que piore, e 35%, que fique como está (pesquisa Opinaia).
Os ânimos começaram a mudar em dezembro, quando o governo aprovou a reforma da Previdência em meio a um cenário de violência que deixou dezenas de feridos.
O governo argumenta que as reformas propostas, assim como o fim dos subsídios da era kirchnerista (2003-15), são um ajuste necessário, pois o país não cresce como naquela época e não pode arcar com o imenso gasto social de gestões anteriores.
Macri vem adotando uma política de retirada de benefícios gradual. Mesmo assim, a cada leva de aumentos que promove, há uma onda de descontentamento.
Em meados de 2016, houve o primeiro "tarifaço", que retirou parte dos subsídios dos serviços, causando aumentos de até 400%. A população reagiu com panelaços.
No início de fevereiro, entrou em vigor outro "tarifaço", com aumentos de até 50% em transporte, gás e eletricidade. Junto, veio uma desvalorização do peso -no fim da era Kirchner, 9 pesos compravam US$ 1, hoje são necessários 20.
Com isso, voltaram a faltar artigos importados, e áreas como a da construção, em que as operações são feitas em dólar, desaceleraram.
No dia 9, houve greve parcial de algumas categorias e, no próximo dia 21, haverá outra mais ampla promovida pela central sindical CGT.
A pressão dos sindicatos levou o governo a adiar a reforma trabalhista, prevista para fevereiro, e anunciar que ela será "parcelada" em várias leis no segundo semestre.
INFLAÇÃO
Os aumentos nos serviços são apenas um dos obstáculos para reduzir a inflação. Quando Macri assumiu, em dezembro de 2015, o índice real (não o maquiado pelo governo Cristina) era de 35%. Em 2016, subiu para 40%. Em 2017, baixou para 24%.
Trata-se de uma redução considerável, mas a cifra ainda é a segunda da região, depois apenas da Venezuela.
Em dezembro, o governo recalculou metas: a ideia agora é tentar fechar 2018 com 15% e não com os 10% planejados, e chegar a uma inflação de um dígito não mais em 2019, mas só em 2020 --depois da eleição presidencial.
"É um problema difícil", diz o economista Marcelo Elizondo. "A Argentina tem um deficit de orçamento muito alto. Para financiá-lo, se endivida em dólares no exterior e joga mais pesos no mercado, o que causa mais inflação", explica.
E acrescenta: "A retirada de subsídios é um remédio para consertar a política equivocada do governo anterior. Só que, a curto prazo, causa aumentos impopulares".
Os investimentos estrangeiros que Macri vislumbrou ao assumir com o discurso de "abrir a Argentina ao mundo", após anos de rejeição pelos mercados, chegam a conta-gotas. "A Argentina se abriu e derrubou travas quando a economia mundial desacelerava e o protecionismo era retomado por parceiros importantes", diz Elizondo.
Em janeiro, o investimento estrangeiro caiu 4% frente ao mesmo mês de 2016, segundo o Banco Central local.

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