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Moffett Um
data center na Irlanda
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Junho 2026 Clima e Meio Ambiente
Relatório da Universidade das Nações Unidas alerta que captações em larga
escala podem sobrecarregar aquíferos e sistemas fluviais; estima-se que
treinamento do ChatGPT-5 consumiu 1 bilhão de litros de água e usou quantidade
de terra equivalente a 215 campos de futebol.
O rápido
crescimento da Inteligência Artificial, IA, está gerando um consumo intenso de
energia com impactos diretos na terra, na água e no clima, de acordo com a
Universidade das Nações Unidas.
Um estudo
publicado nesta quarta-feira pelo Instituto de Água, Meio Ambiente e Saúde da
instituição traz a análise mais ampla já realizada sobre os impactos ambientais
da IA.
Demanda intensa por eletricidade
A expansão
da tecnologia envolve infraestrutura física e cadeias de suprimentos, incluindo
centros de dados, chips, geração de eletricidade, sistemas de refrigeração,
captação de água, ocupação do solo, minerais críticos e eventuais resíduos
eletrônicos.
O estudo
revela que, em 2025, os centros de dados, uma infraestrutura crucial para a IA,
utilizaram cerca de 448 TWh de eletricidade. Se os centros de dados fossem um
país, esse nível de consumo elétrico os colocaria na 11ª posição global.
Mantidas as
trajetórias atuais, a demanda de eletricidade dos centros de dados poderá
praticamente dobrar, atingindo 945 TWh até 2030. Isso é quase o triplo do uso
anual de eletricidade do Paquistão, Bangladesh e Nigéria juntos, países que,
somados, abrigam mais de 650 milhões de pessoas.
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Vick Um
servidor de data center é um computador poderoso e especializado
Consumo excessivo de água e terras
O consumo
anual de água necessário para manter esses centros de dados rodando seria de
9,3 trilhões de litros, uma quantidade que satisfaria todas as necessidades
domésticas básicas de água de 1,3 bilhão de habitantes da África Subsaariana
durante um ano.
O relatório
observa que, mesmo quando parte da água captada é devolvida, “captações em
larga escala podem sobrecarregar aquíferos e sistemas fluviais, particularmente
em regiões áridas ou com esgotamento de águas subterrâneas”.
A emissão
de carbono associada ao aumento do consumo de eletricidade pelos centros de
dados totaliza, em média, 399 milhões de toneladas de CO2, exigindo 6,7 bilhões
de árvores para ser compensada.
Já o
impacto territorial é de cerca de 14.500 km², uma área 18 vezes maior do que a
cidade de Nova Iorque.
Impacto do treinamento do ChatGPT-5
O relatório
enfatiza que estratégias de ‘baixo carbono’ não significam automaticamente
‘baixo consumo de água’ ou ‘baixo uso do solo’, e avaliar a sustentabilidade
por meio de uma única métrica pode ser enganoso.
Segundo os
autores, em locais que já enfrentam estresse hídrico ou pressão sobre o uso da
terra, essas assimetrias podem agravar os problemas ambientais das comunidades
locais.
Os autores
alertam que o treinamento de novos modelos de IA exige uma quantidade imensa de
energia. Os estimados 100 GWh de eletricidade necessários para treinar o
ChatGPT-5 equivalem, aproximadamente, ao consumo residencial anual de 770 mil
pessoas na África Subsaariana.
O impacto
hídrico associado é estimada em 1 bilhão de litros, e a pegada territorial, em
1,5 km², aproximadamente o tamanho de 215 campos de futebol.
©
Pnud/Ab Rashid Uma
mulher coleta água no distrito de Satkhira, no oeste do Bangladesh, afetado
pela seca.
Energia gasta com prompts de texto e geração de vídeos
Os autores
ressaltam que o uso diário da IA tem um impacto muito maior. Estima-se que
apenas o ChatGPT processe cerca de 2,5 bilhões de “prompts” por dia.
Considerando um valor conservador de 0,42 Wh por “prompt” de texto o consumo
anual de energia chega a 383 GWh.
Já um clipe
de vídeo feito por IA em alta resolução pode exigir mais de 415 Wh, tornando-o
mais intensivo em energia do que a criação de centenas de imagens.
Lixo eletrônico
O relatório
também destaca o problema crescente do descarte de hardware de IA, afirmando
que o lixo eletrônico mal gerenciado pode expor comunidades a substâncias
perigosas.
Até 2030, a
infraestrutura de IA poderá gerar até 2,5 milhões de toneladas métricas de lixo
eletrônico por ano, o que equivale a 250 Torres Eiffel.
Outro ponto
de preocupação é a “inequidade estrutural”. Apenas 32 nações hospedam
infraestrutura de nuvem especializada em IA, e 90% dessa capacidade
concentra-se nos Estados Unidos e na China.
Países que
carecem de capacidade computacional doméstica dependem de provedores externos,
o que lhes confere pouco controle sobre o acesso, os preços ou a governança de
dados.
ITU Ásia liderou produção de lixo
eletrônico em 2019 com 24,9 mega toneladas.
Questão de justiça ambiental
O resultado
é um aprofundamento da divisão digital entre as nações que constroem e
controlam os sistemas de IA e aquelas que simplesmente os consomem, arcando,
muitas vezes, com uma parcela desproporcional dos custos ambientais.
Mais de 150
países não possuem qualquer capacidade soberana de computação para IA.
O relatório
enquadra essa situação não apenas como uma divisão econômica, mas também como
uma questão de justiça ambiental, pois os países excluídos arcam com os ônus da
extração mineral e dos resíduos eletrônicos, enquanto os benefícios
estratégicos fluem para outros lugares.
Fonte: https://news.un.org/pt/story/2026/06/1853321?utm_source=ONU+News+-+Newsletter&utm_campaign=de9ec726ba-EMAIL_CAMPAIGN_2026_06_06_05_06&utm_medium=email&utm_term=0_98793f891c-de9ec726ba-109018033
acesso em 07-06-26
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