© Pnud/Ab Rashid Uma mulher coleta água no distrito de
Satkhira, no oeste do Bangladesh, afetado pela seca.
17
Setembro 2026 Clima e Meio Ambiente
Relatório da ONU mostra que 36% das bacias hidrográficas analisadas
tiveram fluxo abaixo do normal em 2025; pelo quarto ano consecutivo, todas as
principais regiões glaciais da Terra perderam massa de gelo; documento cita
redução de reservas de água subterrânea no nordeste e centro-oeste do Brasil.
No ano
passado, diversos rios ao redor do mundo atingiram o nível mais seco dos
últimos 35 anos, com fluxos abaixo do normal em 36% das bacias hidrográficas
analisadas pela Organização Meteorológica Mundial, OMM.
Em
relatório lançado nesta quinta-feira, a agência afirma que as reservas de água
doce no planeta estão em declínio.
© Unesco/Adriana Zehbrauskas Mata preservada é capaz de
suportar melhor as mudanças climáticas e manter o equilíbrio das bacias
hidrográficas
“Conta poupança do planeta” está se
esgotando
Além da
diminuição dos rios, o recuo das geleiras é outro fator que afeta a
disponibilidade de água, ameaçando o futuro das pessoas e das economias.
O Relatório sobre o Estado dos Recursos Hídricos
Globais da OMM analisa
vazão de rios, água subterrânea, perda de água do solo e das plantas, e o
volume de neve e gelo, bem como eventos climáticos de alto impacto.
A
secretária-geral da OMM, Celeste Saulo afirmou que a água subterrânea, as
geleiras e a neve sazonal, são como uma “conta poupança do planeta”.
Essas
reservas funcionam como uma garantia de que anos ruins, marcados por fortes
secas, não vão necessariamente causar uma crise hídrica.
No entanto,
Celeste Saulo alertou que o mundo está agora “esgotando essa conta
poupança”.
Unicef/Vineeta Misra Sara bebe água do lado de fora
de sua escola no vilarejo de Adol, no Rajastão.
Diminuição do gelo e da água subterrânea
Os dados da
OMM indicam que o armazenamento global de água na superfície tem apresentado
uma tendência de queda desde 2014. Pelo quarto ano consecutivo, todas as
principais regiões glaciais da Terra perderam massa de gelo.
Entre 2023
e 2025, a perda global acumulada foi de 1400 gigatoneladas de água. Isso
equivale ao volume necessário para preencher 560 milhões de piscinas olímpicas.
A água
subterrânea vive uma situação semelhante. Quase dois terços dos poços
monitorados no mundo apresentaram condições abaixo da média histórica em 2025.
Esses
níveis baixos foram observados no nordeste e centro-oeste do Brasil, na Europa
Central e Oriental, no centro dos Estados Unidos, em partes do México, no norte
do Chile e da África do Sul, no noroeste da Índia e em partes do sul da
Austrália.
© Adobe Stock/Richard O encolhimento da geleira
equatorial de Gunung Jaya Wijaya em Papua, Indonésia
Ameaça do El Niño
A OMM
interpreta esses dados como um “esgotamento cumulativo com tendência de secagem
de vários anos”.
A chefe da
OMM afirmou que o déficit aumentou em comparação com 2024, sem sinais de
recuperação.
Ao mesmo
tempo há um aumento de desastres relacionados à água. O fortalecimento do El
Niño aumentará o risco de seca em algumas áreas e de inundações em outras,
segundo a OMM.
Fonte: https://news.un.org/pt/story/2026/09/1854382?utm_source=ONU+News+-+Newsletter&utm_campaign=4d286ec19d-EMAIL_CAMPAIGN_2026_09_19_05_06&utm_medium=email&utm_term=0_98793f891c-4d286ec19d-109018033
acesso em 19/09/26
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