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Falem mal, mas falem de nós



Complete o seguinte texto com as palavras faltantes na lista a seguir e depois discuta com seus colegas e professor: claro, deste já, fim da Feira, for, mas, onde, pejo, por acaso, só, sofreguidão, tirou sarro.




 

 

Falem mal, mas falem de nós

Por Mércio P. Gomes |  15 de out de 2013

Recentemente ocorreu mais uma edição da Feira de Livros de Frankfurt, uma das mais importantes do mundo, ______________________________ (1) as editoras de muitos países levam livros dos seus principais escritores e intelectuais para serem vendidos e traduzidos. Os alemães são generosos e festivos e sempre homenageiam um país. Mais uma vez (a primeira foi em 1996), o Brasil foi homenageado, e o governo federal gastou uma bolada de R$ 18 milhões levando uma porção dos nossos escritores, entre os mais bem cotados, claro. ______________________________ (2) Paulo Coelho se recusou a comparecer, não se sabe bem o porquê.
Pavilhão brasileiro na Feira de Livros de Frankfurt. Foto: AP

Na abertura do evento, o escritor Luiz Ruffato leu um discurso cheio de rancor e extremamente crítico ao Brasil, como cultura e como sociedade. Explicitou o racismo brasileiro, o extermínio dos índios, a desigualdade social, entre outros temas, de um modo que não dava saídas. Somos isso que somos. Não falava da situação atual e sim do próprio ser do Brasil.
A pergunta que nos cabe é: Somos isso mesmo?
A repercussão entre os brasileiros foi diversa, de um extremo a outro -- uns a favor, outros contra. Não sei como pensaram os alemães, provavelmente que somos muito falastrões. Um crítico alemão ______________________________ (3) e disse que estamos numa angústia cultural. Cá na terrinha o jornalista Zuenir Ventura, chateado, relatou um incidente similar, mas de sinal trocado, que ocorreu na primeira vez que o Brasil fora homenageado. Lá estava presente o antropólogo Darcy Ribeiro, autor do livro O povo brasileiro, que nunca teve ______________________________ (4) de exaltar a cultura brasileira, apesar dos pesares. Darcy notara que, deixando de lado a literatura, criara-se um clima de denegrir o Brasil, e ao ser perguntado provocadoramente por um alemão na platéia se o Brasil continuava a exterminar seus índios, Darcy retrucara: "Acho que a Alemanha não é o melhor lugar para se discutir genocídio". A platéia calou-se e os críticos botaram a viola no saco.
Fica evidente ______________________________ (5) que Zuenir Ventura e eu, e muitas outras pessoas, achamos que o discurso de Ruffato foi no mínimo fora de proporção, se não fora de lugar. Não é por vergonha de ouvirmos uma verdade dita na Alemanha, ______________________________ (6) pela verdade não ser completa. Se a questão é lavar roupa suja, por que logo diante de um povo que, louco e furioso no tempo de Hitler, apoiou até o fim as práticas mais devastadoras já praticadas por um Estado contra outros Estados e povos? Certamente que Ruffato e qualquer brasileiro têm motivos de sobra para criticar o Brasil, aqui e lá fora, e têm todo o direito de fazê-lo. Mas, o que significa criticar o Brasil no Exterior?
As pessoas gostam de botar panos quentes em situações embaraçosas. No ______________________________ (7), duas antropólogas brasileiras também aproveitaram a ocasião para criticar a política indigenista atual, considerando-a perniciosa e regressiva. Os alemães adoram ouvir isso, ______________________________ (8), assim esquecem seu passado. A antropóloga Lilian Schwartcz, autora de diversos livros sobre o racismo no tempo do Império, se propôs a amenizar o discurso de Ruffato e usou de um trocadilho cheio de ambiguidades: "A questão não é falar mal do Brasil, mas falar mais". Há ______________________________ (9) alguma censura no falar brasileiro atual?
Parece que poucos se contêm em abrir o bico contra o Brasil quando está no meio de estrangeiros, como se fosse para se desculpar de sua origem, ou, quem sabe, pedir ajuda para melhorar o padrão cultural brasileiro.
Mas a questão é bem mais ampla.
Conversando esses dias com um ilustre amigo matemático, de origem judaica e argentina, mas cidadão americano, e apaixonado pelo Brasil, que considera o melhor país do mundo (tal como o escritor austríaco Stefan Zweig, autor do livro Brasil: País do Futuro, e o filósofo checo Vilém Flusser, autor de Fenomenologia do Brasileiro, ambos também judeus), ele disse aquilo que muitos estrangeiros encantados com o Brasil e que têm vivência no país sempre dizem: que os brasileiros têm auto-estima baixa e criticam o país com ______________________________ (10) para estrangeiros não porque não amem sua pátria, mas talvez porque não têm esperanças de ver o país superar seus defeitos.
Será esse o caso do escritor Ruffato e de tantos outros mais? E se ______________________________ (11) por isso, será que acham que os estrangeiros nos vão ajudar?

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