27
Janeiro 2026 Direitos humanos
Opas e Unicef alertam que a violência
continua representando uma grave ameaça à vida, à saúde e ao bem-estar de
milhões de crianças, adolescentes e mulheres na região; relatório defende
reforço urgente das políticas de prevenção, proteção e resposta ao problema.
Na América
Latina e no Caribe a violência contra crianças, adolescentes e jovens mantém-se
como um problema estrutural com impactos profundos e duradouros.
Um novo
relatório compila dados sobre a magnitude do fenômeno e identifica soluções
baseadas em evidências para enfrentar o problema em toda a região. A copublicação é da Organização Pan-Americana da Saúde,
Opas, e do Fundo das Nações Unidas para a Infância, Unicef.
Mortes violentas continuam a marcar a
infância e adolescência
Segundo o
estudo, a consequência mais grave da violência é a morte. Entre 2015 e 2022, as
vítimas de homicídio chegaram a 53.318 crianças e adolescentes na região.
As
informações mais recentes, centrados na faixa etária dos 15 aos 17 anos,
revelam tendências contrastantes entre meninos e meninas.
Entre 2021
e 2022, a taxa de homicídios entre adolescentes do sexo masculino diminuiu de
17,63 para 10,68 mortes por 100 mil habitantes, embora continue elevada.
No mesmo
período, a taxa entre adolescentes do sexo feminino mais do que duplicou,
passando de 2,13 para 5,1 mortes por 100 mil.
Violência armada, desigualdades e normas de
gênero
Os
homicídios ocorrem num contexto de aumento da violência armada em algumas zonas
da região, associada ao crime organizado, ao fácil acesso a armas de fogo, às
desigualdades sociais e a normas de gênero prejudiciais.
Estes
fatores expõem cada vez mais adolescentes a situações de violência letal,
agravando os riscos para a sua segurança e desenvolvimento.
Unsplash/Anthony
Tran - Número
significativo de crianças e adolescentes em todo o mundo enfrenta violência e
bullying escolar, incluindo o cyberbullying
Violência presente desde a primeira
infância
O relatório
sublinha que diferentes formas de violência estão interligadas e tendem a
intensificar-se ao longo do tempo.
Na região,
seis em cada 10 menores de 14 anos são sujeitos a algum tipo de disciplina
violenta em casa. Um quarto dos adolescentes dos 13 aos 17 anos relata sofrer
bullying na escola.
Além disso,
quase 20% das mulheres afirma ter sido vítima de violência sexual antes dos 18
anos. Em ambientes digitais, a prática surge como uma preocupação crescente,
embora os dados disponíveis ainda sejam limitados.
Impacto na saúde e no desenvolvimento
A violência
tem efeitos profundos e duradouros na saúde física e mental de crianças e
adolescentes e constitui uma violação do direito a crescer em ambientes
seguros, seja no lar, na escola ou na comunidade.
O diretor
da Opas, Jarbas Barbosa, destacou o papel central dos serviços de saúde na
prevenção e resposta.
O
brasileiro sublinhou que a identificação precoce de pessoas e grupos em risco,
aliada a apoio oportuno e de qualidade, podem fazer uma diferença significativa
para as vítimas, as suas famílias e comunidades.
Apelo ao reforço de políticas públicas e
sistemas de proteção
Para pôr
fim à violência em todas as suas formas, a Opas e o Unicef apelam aos governos
da região para que reforcem e apliquem a legislação de proteção à infância e
assegurem o controlo eficaz de armas de fogo.
Outras
recomendações incluem formar profissionais da saúde, educação, polícia e
serviços sociais, apoiar práticas parentais respeitosas, promover ambientes
escolares seguros e ampliar serviços de resposta.
O objetivo
é garantir que todas as crianças e adolescentes cresçam protegidos, tenham
acesso à justiça e possam viver vidas saudáveis e livres de violência.
Validação regional e compromisso
multissetorial
O relatório
foi validado durante uma consulta ministerial regional realizada em outubro de
2025. O evento reuniu mais de 300 participantes, incluindo ministros e altos
responsáveis dos setores da saúde, educação, justiça e proteção da infância.
A reunião
contou com representantes da sociedade civil, líderes juvenis e parceiros
internacionais, com o objetivo de acordar ações concretas para a criação de
ambientes mais seguros para crianças e adolescentes.
Fonte: https://news.un.org/pt/story/2026/01/1852196?utm_source=ONU+News+-+Newsletter&utm_campaign=8684994270-EMAIL_CAMPAIGN_2026_01_31_06_06&utm_medium=email&utm_term=0_98793f891c-8684994270-109018033
acesso em 31/01/26
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