Unodc/Alejandra
Silva - A imagem de
uma mulher desaparecendo na areia, Lajas Blancas, Panamá
15 Janeiro 2026 -
Crime
complexo e pouco reportado envolve redes criminosas organizadas, vítimas
vulneráveis e uma procura global que excede largamente a oferta legal de
transplantes; guia do Unodc ensina como identificar mitos e fatos e como se
proteger.
Um artigo do Escritório das Nações Unidas sobre
Drogas e Crime, Unodc, detalha o que se sabe e o que permanece desconhecido
sobre o tráfico de seres humanos para remoção de órgãos, um crime que dificulta
a recolha de dados fiáveis e a responsabilização criminal.
A prática
está associada a mitos persistentes que obscurecem a compreensão das formas
reais de atuação dos traficantes.
Tráfico de seres humanos para remoção de órgãos
O tráfico
de seres humanos para remoção de órgãos é uma forma de exploração em que
indivíduos são utilizados como fonte de órgãos.
Mesmo
quando aparentam ter consentido, esse consentimento é considerado inválido se
tiver sido obtido por meio de fraude, engano ou abuso de uma situação de
vulnerabilidade. Nestes casos, as pessoas são reconhecidas como vítimas de
tráfico.
Os
traficantes atuam geralmente em redes criminosas sofisticadas e lucram com a
venda de órgãos a receptores que não conseguem, não podem ou não querem
aguardar por transplantes legais.
Unmiss/Lieutenant Phuc
Nguyen Tien - Equipe
médica realiza cirurgia
Dimensão global e fatores de procura
Em 2007, a
Organização Mundial da Saúde, OMS estimou que entre 5% e 10% dos transplantes
realizados no mundo utilizavam órgãos provenientes do mercado ilícito.
No entanto,
devido ao envelhecimento da população, à globalização de estilos de vida pouco
saudáveis e ao aumento da mobilidade, o número real poderá ser superior.
A dimensão
exata deste crime permanece desconhecida, em parte porque a venda de órgãos é
crime na maioria dos países e muitas vítimas não denunciam.
A procura
por transplantes ilegais resulta sobretudo da escassez global de órgãos
disponíveis de forma ética. Embora sejam realizados mais de 150 mil
transplantes por ano, estes satisfazem menos de 10% da necessidade
global.
O comércio
ilegal de órgãos gera receitas estimadas entre US$ 840 milhões e 1,7 bilhão por
ano.
Modos de operação e vítimas
Os rins são
os órgãos mais frequentemente removidos, seguidos por partes do fígado.
As redes
criminosas operam a nível global e envolvem intermediários, profissionais de
saúde, documentos falsos e facilitadores em diferentes setores.
As vítimas
são contactadas através de anúncios locais, redes sociais ou recrutadores
diretos, que podem incluir antigos traficados ou pessoas de confiança nas
comunidades.
As vítimas
são, na maior parte, pobres e vulneráveis, incluindo desempregados, migrantes,
requerentes de asilo e refugiados.
A maioria
dos casos identificados envolve homens. Muitas vítimas recebem pouca ou nenhuma
compensação financeira e, por vezes, não têm acesso a cuidados pós-operatórios
adequados.
Unodc - O tráfico de seres humanos e o
contrabando de migrantes estão frequentemente ligados à falsificação de
documentos
Impactos e resposta internacional
As
consequências para a saúde física e mental das vítimas podem ser graves e
duradouras, incluindo deterioração da condição física, estigmatização e
depressão. Estes fatores contribuem para a perpetuação de ciclos de pobreza e
exclusão.
O
Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime, Unodc, presta apoio técnico
e legislativo aos Estados para reforçar a resposta da justiça criminal a este
tipo de tráfico.
A agência
desenvolveu ferramentas específicas para investigação e acusação, bem como
programas de investigação e capacitação destinados a melhorar a capacidade
nacional de combater o tráfico de seres humanos para remoção de órgãos.
Fonte: https://news.un.org/pt/story/2026/01/1852047?utm_source=ONU+News+-+Newsletter&utm_campaign=bf3fa146c8-EMAIL_CAMPAIGN_2026_01_17_06_06&utm_medium=email&utm_term=0_98793f891c-bf3fa146c8-109018033
acesso em 17/01/26
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